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| por Teodoro Malta |
| Você em sua casa, Sua casa em você |
Casa é uma palavra que suscita intimidade, descontração, descanso, paz, alívio, acolhimento, conforto, proteção, enfim, uma série de sensações agradáveis. Jargões que utilizamos em nosso cotidiano para recepcionar calorosamente uma pessoa demonstram esses significados: Sinta-se em casa. Você está em sua casa. Haja como se estivesse em sua própria casa, etc. Sinônimos da palavra também trazem significados semânticos semelhantes sejam termos da linguagem formal como lar, habitação ou moradia, sejam expressões coloquiais como cafofo ou barraco.
Em termos comportamentais a intimidade da palavra demonstra que é possível conhecer a personalidade de pessoas apenas observando a casa onde moram. Disposição de móveis, luminosidade, cores, quadros, tapetes, artigos de decoração, fotos, aparelhos eletrônicos, organização (ou não) de objetos pessoais, entre outros, são recursos valorosos que indicam características pessoais.
Por isso, é muito importante refletir sobre as seguintes perguntas: Sua casa parece com você? Quais os locais de sua casa em que você gosta de ficar? Quantas horas por semana você fica em casa? O que você gostaria de mudar em sua casa?
A nossa casa reflete uma dimensão de nosso interior, de nossa maneira de ser, refletir sobre nosso relacionamento com o espaço físico no qual vivemos pode trazer insgihts interessantes de autoconhecimento, em especial, a respeito de como estamos conduzindo nossa vida. Sentir-se bem em casa pode representar que a auto-estima também anda bem, valendo o mesmo raciocínio em caso contrário.
Assim, ao montar sua casa, é importante que você se reconheça nela, claro que dicas e sugestões de profissionais especializados, arquitetos e decoradores, são bem-vindas para aumentar o campo de visão, que até podem contribuir para a descoberta de novos potenciais interiores. Para ilustrar, conto o caso de uma cliente que comprou seu primeiro imóvel. Uma amiga sua que era arquiteta apresentou-lhe um projeto de como decorar o apartamento. Ela detestou o projeto, mas ficou constrangida em dizer para a amiga. Nem é necessário dizer que quando foram iniciadas as obras ocorreram problemas de todos os tipos desde os mais básicos até incidentes que beiram ao conceito do surreal. Em meio a toda turbulência, minha cliente criou coragem e dispensou a amiga e infelizmente a amizade ficou abalada. Ela procurou outra arquiteta que a partir do projeto inicial conseguiu adequá-lo a seu gosto. Ao final, o apartamento ficou de seu agrado. O interessante foi que em meio a todos os problemas, minha cliente decidiu que um determinado cômodo ela o pintaria sozinha, e assim ela o fez. Após esta vivência, ela descobriu que pintar é hobby interessante, a atividade trouxe-lhe agradáveis sensações de relaxamento e a partir de então ela passou a freqüentar aulas de pintura. Esse cômodo se tornou seu refúgio e ela o chamou de oásis do estresse e pressões de sua atribulada vida profissional, sendo a parte da casa que ela mais gosta. Hoje ela vive feliz em sua casa.
Cuidar de nossa casa é dedicar atenção a nós mesmos. A intimidade interior está projetada em objetos pessoais. Assim, se você quer descobrir mais a respeito de você e quem sabe até operar algumas mudanças em sua vida como um todo pense em sua casa, lembre que ela está em você.
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