por Profa. Dra. Jane de Eston Armond
atualizado em dezembro de 2009
Dia Mundial dedicado à Luta contra a AIDS
Mais um primeiro de dezembro dedicado à luta contra a AIDS, mas será que temos o que comemorar neste dia?

Podemos dizer que com certeza temos. Apesar da manutenção da epidemia, de serem necessários investimentos constantes em prevenção, pode-se afirmar que, em termos de política pública, com vistas a minimizar a propagação do agravo, bem como o seu tratamento, o Brasil é apontado como exemplo para outros países. Em nosso país, respeitando os princípios do Sistema Único de Saúde, o SUS, da integralidade e da universalidade da atenção à saúde, todo e qualquer cidadão tem direito ao tratamento gratuito e também, aos exames para diagnóstico e às internações hospitalares se necessárias.

Todos os medicamentos preconizados para o tratamento da doença são disponibilizados aos pacientes em locais específicos nos grandes centros; isto provocou a queda de 15% da taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007, nestes centros. Em contrapartida, foi observado um aumento na incidência nos municípios pequenos, com menos de 50.000 habitantes.

Em relação ao sexo, os números mostram que para cada 15 homens soro positivos, existem 10 mulheres infectadas. Em ambos os sexos a maior incidência do agravo encontra-se na faixa etária de 25 a 49 anos. A análise dos números, do Ministério da Saúde, mostrou ainda uma tendência de crescimento da taxa de incidência a partir dos 40 anos nos homens e dos 30 anos nas mulheres entre 1997 e 2007. No município de São Paulo houve queda do coeficiente de incidência do agravo a partir do ano 2000 em ambos os sexos.

No que se refere à exposição, a partir de 2006, houve um aumento de caso entre os heterossexuais, porem, em relação aos usuários de drogas, esse aumento não foi significativo.

A taxa de mortalidade em São Paulo, segundo o Programa DST/AIDS da Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, em decorrência da AIDS, vem decrescendo nos últimos anos, sendo que em 2007 a taxa foi de 6,75 mortes por 100.000 habitantes e em 2008 esse número caiu para 2,38 óbitos por 100.000 habitantes; este resultado pode ser com certeza, atribuído entre outros, à introdução de antirretrovirais e a possibilidade do diagnóstico precoce.

Atualmente existem, na cidade de São Paulo, 15 unidades de assistência especializada em Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS, as quais oferecem assistência integral aos indivíduos portadores do vírus HIV e também aos que já têm a doença AIDS. Os dados apresentados foram fornecidos pelo Programa de Combate às Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde da Cidade de São Paulo: Apesar do declínio da incidência e mortalidade do agravo são necessários investimentos contínuos ma prevenção, por meio de campanhas educativas na mídia escrita e falada, orientação nas escolas, orientação pelos profissionais de saúde nas unidades do sistema público, entre outros.

Entretanto, não basta apenas, transmitir as informações à população, é necessário encontrar uma forma de sensibilizá-la, fazer com que incorpore realmente a informação de tal forma que a possibilite modificar sua atitude e conduta em relação à prática sexual e ao uso de drogas. Este trabalho de educação da população é dever do Estado, porém o esforço em conjunto de toda a sociedade mobilizada para o tema é de extrema importância e relevância para alcançarmos resultados ainda melhores no tocante ao controle e disseminação deste mal.

Profa. Dra. Jane de Eston Armond é graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Taubaté (1974), Especialista em Pediatria, Mestrado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1998) e Doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (2003).Especialista em Vigilância Sanitária, MBA em Gestão de Serviços de Saúde Atualmente é professora titular da Disciplina de Saúde Coletiva da Universidade de Santo Amaro. Coordenadora do Núcleo de Saúde Coletiva e Mental da Universidade. Docente da Pós Graduação em Saúde Materno-infantil (strictu-sensu), Experiência nas áreas de Pediatria, Saúde Coletiva, Epidemiologia e Gestão em Saúde.

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